Capítulo 2: Opa, também conto
Não toquem nele.
Eu não sei o que é, que acontece com esse povo, parece que até hoje não entenderam que criança é um ser sensível, que merece cuidado, que não é teclado de computador, pra ficar metendo o dedo não, fica passando a mão suja de mundo.
Está certo que bebê é irresistivel ainda mais filho meu né, vamos combinar?!E que dá vontade de tocar, de abraçar, de morder, não morder não, meu filho não. Mas não pode nenem é coisa frágil que não pode ser tocada a qualquer momento por qualquer um.
Então surge a grande história, levei ele na manicure, poxa não tinha com quem deixar né, o João Cardoso estava trabalhando, babá no sabado é um roubo principalmente aqui no Rio de Janeiro, é uma super facada, é um facadão, então levei meu garotinho, só que eu imaginei que lá as pessoas seriam sensatas não? Claro, manicures pessoas limpas.
A vida nem sempre é o que pensamos.
Uma moça, super simpática, recepcionista lá da manicure, a Tereza, que passa o dia, o dia inteiro lidando com dinheiro, dinheiro, dinheiro, não foi erro de digitação é que eu quero frisar que é dinheiro, a coisa mais imunda do universo. É ela pegou no Carlos Eduardo, pegou, tocou, apertou suas bochechas, beijou, e mordeu, MORDEU! Quase tive um ataque, mas precisava fingir que estava tudo bem comigo, talvez que nem era meu filho, que eu não estava beirando a insanidade e com uma vontade imensa de gritar: LARGA MEU FILHO, LAAARGA, LARGA ELE, SEU ARMAZÉM DE PROTOZOÁRIOS.!!!
Mas enfim consegui me segurar, e então quando penso que está tudo resolvido , me chegar uma manicure, aquelas mulheresque trabalha com cutículas, joanetes, unhas encravadas e, irc, pés e mãos alheios. A moça foi muito agradável, mas mal falou comigo. Foi logo tascando um beijo na bochecha do Carlos Eduardo.
Eu queria me desculpar, me ajoelhar implorando o perdão para meu filho por tê-lo levado naquele buraco de germes.
Eu sei que parece loucura, mas tudo que eu conseguia ver enquanto aquela louca falava era a onda, onda não MAREMOTO de bactérias, virus, vermes e germes, e cuspe que saíam de sua boca. O pior é que Carlos Eduardo via minha cara de pavor, e ria de mim, como se entendesse tudo que acontecia. Eu não podendo ver a hora dela virar as costas e agir.
Ah, sim. Eu transformei meu borrifador de água, que usava para molhar os cabelos antes de fazer a escova, em borrifador de água filtrada para limpar meu bebê das impurezas do mundo. É só a pessoa pegadora de mãos virar as costas que ele entra em ação. Rápido como uma pistoleira, saco meu borrifador da bolsa e, em questão de segundos, limpo toda a sujeira e me sinto a mãe mais cuidadosa e limpinha do mundo.
Sei que já tem gente me chamando de paranóica pelas costas. E daí? Ninguém paga as
minhas contas, ninguém tem nada a ver com a minha vida e com os meus hábitos. Mas não
sou eu que vou ficar dizendo isso para as pessoas. O que eu gostaria de ensiná-las é que em
criança pequena a gente só faz carinho na cabecinha, e olhe lá!
Ou será que eu estou sendo paranóica? Se estiver, tudo bem. Mães de primeira viagem
podem tudo.
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